Guia do Pintor - Economia Água na Obra
- Douglas de Assis

- 4 de abr de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de abr de 2025
Guia do Pintor - Economia Água na Obra: práticas sustentáveis e técnicas eficientes. Este artigo apresenta orientações práticas e técnicas que ajudam o pintor profissional a reduzir o consumo de água sem comprometer a qualidade do serviço.
A água é um dos materiais que mais usamos na pintura imobiliária, seja para preparar superfícies, diluir produtos ou limpar ferramentas. Mas, quando usamos sem controle, isso afeta o meio ambiente e também a nossa imagem como profissionais.
Com a falta de água aumentando por causa das mudanças no clima e da má gestão dos recursos naturais, economizar água deixou de ser apenas uma questão ambiental. Hoje, é também uma exigência ética, técnica e econômica para quem trabalha na construção civil. Nós, pintores profissionais — principalmente os que fazem parte da ABRAPP e do MBPM — precisamos trazer a sustentabilidade para a nossa rotina como um diferencial competitivo.

Este artigo mostra várias práticas, técnicas e atitudes que ajudam a reduzir bastante o uso da água na obra, sem perder qualidade ou eficiência. Pelo contrário: quando seguimos essas orientações, mostramos que somos profissionais responsáveis, preparados e atualizados com as exigências do mercado atual.
1. Planejamento e organização do espaço de trabalho - A primeira ferramenta para economizar água é o planejamento. Quando organizamos bem o ambiente de trabalho, evitamos retrabalho, desperdício e pausas desnecessárias que aumentam o uso da água.
Boas práticas:
Devemos planejar as etapas do serviço e separar os materiais por cômodo e por cor, reduzindo a necessidade de lavagens entre uma fase e outra.
É importante manter os utensílios separados por tipo e uso, guardando em estojos, sacolas plásticas ou caixas com divisórias. Assim, evitamos que os rolos e pincéis fiquem expostos ao ar.
Vale a pena reservar uma área só para limpeza de ferramentas, equipada com baldes, panos, suporte para escorrer e, se possível, um sistema simples de reaproveitamento de água.

2. Uso racional da água na limpeza de ferramentas - A limpeza costuma ser o momento em que mais gastamos água. Se deixarmos a torneira aberta para lavar pincéis e rolos, o desperdício pode ser enorme.
Técnicas recomendadas:
Podemos retirar o excesso de tinta com espátulas, papelão ou panos antes da lavagem. Isso reduz bastante a quantidade de água necessária.
Em vez de usar a torneira, é melhor trabalhar com dois ou três baldes: um para pré-lavagem, outro para lavagem e um terceiro para enxágue. Com isso, o consumo pode cair até 80%.
A água usada no primeiro balde pode servir para limpar outras ferramentas ou até pisos, desde que esteja livre de resíduos perigosos.
Em limpezas rápidas entre demãos, panos úmidos ou flanelas resolvem sem precisar lavar tudo novamente.
3. Menos lavagens durante o expediente - Geralmente, lavamos as ferramentas ao mudar de cor ou ambiente, mas isso pode ser evitado com organização e alguns cuidados simples.
Dicas úteis:
É possível organizar o serviço por cor. Por exemplo: pintar tudo o que for branco antes de começar com os tons mais escuros.
O uso de capas protetoras ou forros plásticos em rolos e bandejas facilita a troca de tinta sem precisar lavar.
Em pausas curtas, basta envolver pincéis e rolos com plástico filme ou sacolas bem fechadas para evitar que sequem.

4. Alternativas à limpeza com água - Nem sempre é necessário recorrer à água para limpar as ferramentas. Dependendo do tipo de tinta e da fase do serviço, há soluções mais econômicas.
Exemplos práticos:
Quando usamos tinta à base de solvente, thinner ou solventes recicláveis são boas opções. Dá para decantar os resíduos e reutilizar o líquido limpo.
Ferramentas com tinta seca podem ficar de molho por algumas horas. Assim, conseguimos fazer a limpeza depois sem usar água corrente.
Em obras menores, utilizar rolos de baixo custo por ambiente e descartar após o uso pode ser mais vantajoso do que lavar.
5. Coleta, armazenamento e reaproveitamento da água - Reaproveitar a água na obra é uma atitude inteligente e sustentável. Em muitos casos, dá para adaptar o local de trabalho para isso.
Ações recomendadas:
A instalação de tambores ou caixas d’água para captar chuva em áreas externas permite o uso dessa água para lavar ferramentas ou preparar reboco.
A água das primeiras lavagens pode ser utilizada em outras partes da obra, como limpeza de áreas externas ou umedecimento de superfícies.
Sempre que possível, devemos sugerir à equipe da obra o uso de sistemas de reaproveitamento de água, especialmente nos serviços de limpeza.

6. Produtos e ferramentas que economizam água - O mercado oferece soluções que facilitam a limpeza e reduzem a necessidade de água.
Sugestões de escolha:
Tintas com alta cobertura ajudam a economizar água, pois exigem menos demãos e menos limpezas entre camadas.
Rolos e pincéis com materiais que repelem tinta são mais fáceis de limpar.
Em obras maiores, o uso de lavadoras de alta pressão com reaproveitamento pode ser uma boa alternativa à lavagem convencional.
7. Treinamento e conscientização da equipe - Quando a equipe de pintura é formada por mais de uma pessoa, é fundamental que todos estejam alinhados.
Medidas eficazes:
Reuniões periódicas ajudam a padronizar os procedimentos de limpeza e descarte.
Cartazes com lembretes visuais sobre economia de água podem ser colocados na área de lavagem.
Uma checagem rápida ao fim do dia garante que os baldes foram reutilizados corretamente e a água foi descartada de forma adequada.

8. Postura profissional e valorização do pintor - A economia de água também é uma forma de mostrar atitude profissional. Quem adota essas práticas é mais valorizado por clientes, colegas e empresas.
Demonstrações de profissionalismo:
Ao apresentar o plano de trabalho para o cliente, vale mostrar o compromisso com o uso consciente da água.
Registrar essas boas práticas em fotos e vídeos fortalece a imagem profissional nas redes sociais.
Em orçamentos e portfólios, podemos destacar nosso cuidado com a sustentabilidade como um diferencial.
Conclusão
Adotar práticas sustentáveis no uso da água é uma necessidade atual. Quando planejamos bem, organizamos o ambiente e usamos as técnicas certas, saímos na frente da concorrência.
Economizar água na pintura não significa perder qualidade. Mostra que temos técnica, visão e responsabilidade com o meio ambiente. Esse tipo de profissional conquista mais obras e tem mais reconhecimento no mercado.
Nós, da ABRAPP e do MBPM, apoiamos essas atitudes como parte do crescimento do pintor profissional no Brasil. Por isso, estamos desenvolvendo um treinamento específico sobre o tema. Quem concluir o curso receberá certificado e um selo especial de reconhecimento.
Siga-nos no Instagram:
@EscolaAbrapp_Oficial
@PintorAbrapp
@Mbpm_Oficial


ótima iniciativa
Excelente artigo 🤝🏻🇧🇷🇮🇱
Muito boa, são dicas de excelência
O profissional capacitado e comprometido com sua atuação no mercado da pintura, deve sempre estar alinhado com as boas práticas de execução e consciente de suas responsabilidades. Além de conhecimentos técnicos é necessário sensibilizar com outras temáticas que envolve toda uma cadeia de práticas sustentáveis. Essa é uma responsabilidade de todos nós.
Parabéns pela matéria.