Segurança do Trabalho na Obra: O “rapidinho” pode ser fatal! (Por Jota Correa)
- Léa Ramos De Oliveira
- 27 de mai.
- 4 min de leitura
Na obra, o "rapidinho" pode ser fatal! Segurança do trabalho envolve conhecimento aplicado e repetido diariamente, durante todo o expediente. (Por Jota Correa)
Segurança Trabalho Obra: É com muito orgulho que nós, da ABRAPP (Associação Brasileira dos Pintores Profissionais), abrimos este espaço para compartilhar as palavras, a vivência e a experiência de quem entende profundamente o dia a dia do nosso setor e luta incansavelmente pela nossa classe. A segurança no ambiente de trabalho é um pilar inegociável para a nossa associação, e debater esse tema é fundamental para garantir que todo profissional da pintura volte em segurança para sua família ao final de cada jornada.
Por isso, convidamos nosso grande amigo e parceiro Jota Correa — educador técnico, comunicador e idealizador do podcast “Primo Zé Cast” (projeto voltado à educação, conteúdo e impacto social na construção civil) — para trazer um alerta urgente e necessário sobre os riscos invisíveis na rotina das obras.
Palavra do Especialista, por Jota Correa:
Em trabalhos realizados nos canteiros de obras — sejam comerciais, residenciais ou prediais —, o período mais perigoso não é, exatamente, o pico do serviço, mas sim os dez minutos finais do expediente. Existem inúmeras situações trágicas que poderiam ter tido desfechos diferentes.

Durante a realização das tarefas, muitas vezes parece estar tudo sob controle: checklist feito, EPIs conferidos, rotina bem conhecida pelo profissional e nada fora do script. O trabalho segue normalmente, com cada ferramenta em seu lugar e um procedimento já repetido dezenas de vezes. É justamente aí, na crença confortável de que “sempre deu certo”, que a falsa sensação de segurança se instala.
Próximo ao final do dia, surge aquela velha e perigosa frase: “É rapidinho. Só falta aquele cantinho”. Faço uma pausa aqui para alertar: cuidado! No fim do expediente, a pressa vira a inimiga mortal da atenção, e é nesse “rapidinho” que mora o maior risco.
A confiança cega ao realizar tarefas sem a devida análise de riscos não é suficiente. Pior ainda é quando essas ações são executadas por pessoas sem capacitação ou fora do padrão previsto pela Norma Regulamentadora NR-35 — que trata do trabalho em altura, ou seja, qualquer atividade executada acima de dois metros do nível inferior, onde há risco de queda. Nestes casos, é obrigatória a adoção de procedimentos rigorosos, entre eles:
Análise prévia de risco;
Planejamento da atividade;
Isolamento e sinalização da área;
Uso correto do sistema de proteção contra quedas;
Supervisão e autorização formal para a execução do serviço.
O Perigo do Excesso de Confiança
Quando esses passos são ignorados, o profissional acaba executando o serviço de forma irregular. Ele não dá a devida atenção aos riscos envolvidos e o erro, combinado ao excesso de confiança e à ausência de treinamento específico, pode ser fatal.
Imagine, por exemplo, a montagem de um andaime próximo a uma rede elétrica. Sem a percepção técnica adequada, o trabalhador não avalia a distância mínima de segurança dos cabos de alta tensão, nem o comportamento de ferramentas metálicas durante a atividade. Ao se aproximar de um fio energizado, a ferramenta passa a funcionar como um condutor, atuando como um “para-raios” e conduzindo a descarga elétrica diretamente para o corpo do profissional. A eletricidade percorre o caminho de menor resistência, provocando o choque, seguido inevitavelmente da queda.
Não Há Segunda Chance

Muitas vezes, não há tempo para corrigir. Não há segunda chance. O resultado dessa falta de atenção é devastador: um filho sem pai, uma filha sem referência, uma esposa sem companheiro, uma mãe enterrando um filho. Não se trata de uma fria estatística, mas de uma realidade dolorosa e cotidiana. Tudo isso começa muito antes, na crença falha de que “bom senso” substitui o treinamento e de que um certificado na parede substitui a fiscalização diária.
Um simples “é rapidinho”, desprovido de conhecimento, é um risco iminente que transforma o cotidiano em uma tragédia evitável. A realidade nas obras é dura. Clientes solicitam serviços sem qualquer noção dos perigos envolvidos, e muitos profissionais se colocam em risco para atender a essas demandas rapidamente.
O uso de andaimes e escadas exige rigor. Não basta entregar os EPIs aos funcionários. A terceirização do serviço também não exime a responsabilidade de quem contrata.
A segurança do trabalho é conhecimento aplicado e repetido todos os dias, principalmente nos últimos minutos do expediente. Porque é justamente quando o corpo está cansado, a mente relaxa e a vontade de ir embora fala mais alto que os acidentes acontecem. A segurança não acaba quando o serviço finaliza; ela só termina de verdade quando o trabalhador cruza o portão da obra e retorna, em segurança, para os braços da sua família.
Intagran: @PrimoZéObras YouTube: @PrimoZéCast ________________________________________________________________________
REPÓRTER ABRAPP
Léa Ramos do Mato Grosso tem 47 anos, é mãe de dois meninos e uma menina, e avó de dois netos, com mais uma netinha a caminho. Com uma trajetória marcada por dedicação e amor à profissão, ela atua como pintora profissional há 10 anos e afirma com orgulho: ama o que faz com todo o coração.

Conhecer o Movimento Brasil por um Pintor Melhor (MBPM) no estado do Mato Grosso foi um verdadeiro divisor de águas em sua vida. Por meio do MBPM-MT, Léa teve acesso a treinamentos, workshops e capacitações, além de ter conhecido pessoas incríveis que somam e transformam realidades.
Sua participação ativa no movimento abriu portas importantes e fortaleceu sua atuação profissional, especialmente através da conexão com lojistas e indústrias parceiras. Essa rede de apoio foi fundamental para ampliar suas oportunidades e reconhecimento no mercado.
Com orgulho, Léa também carrega o título de primeira instrutora da Escola ABRAPP em Mato Grosso — um marco que transformou sua vida e que agora permite que ela transforme a vida de outras pessoas. Ela é prova viva da força dos dois projetos que mudaram sua história: o MBPM e a Escola ABRAPP.
Inspirada por tudo o que viveu, Léa deixa seu recado ao mundo:
"Seja um Pintor ou Pintora MBPM."
Repórter: LeaRamos
Edição: Royalles_Paint
Revisão: DouglasdeAssis



Escrever este artigo foi algo incrível , ter como me expressar através da Abrapp ter a chance de chegar a noticia a mais pessoas e ao mesmo tem um vitória colocar em pratica algo que ja venho a anos me empenhando para tornar possível uma nova realidade de pessoas voltando para suas Famílias. Nisso que acredito
Parabéns, Jota Correa. Um artigo de grande relevância, que une conhecimento técnico, experiência prática e conscientização sobre o verdadeiro valor da segurança no trabalho.
Texto impactante e extremamente relevante. Um lembrete valioso de que, na segurança do trabalho, o ‘rapidinho’ pode custar uma vida.
Excelente alerta, Jota Correa. O ponto sobre os “10 minutos finais” é o que mais vejo na prática: o corpo cansado + pressa = queda na atenção. A NR-35 não é burocracia, é barreira de proteção.
Reforço 3 coisas que salvam vidas na obra:
1. *Planejamento até o fim*: O último “cantinho” merece o mesmo checklist do primeiro. Análise de risco não tem horário.
2. *Cultura de parada*: Ninguém deveria ser cobrado por dizer “agora não dá”. Cliente que pede “rapidinho” precisa entender que acidente custa mais caro que atraso.
3. *Supervisão ativa*: EPI sem fiscalização vira acessório. Autorização formal e “ordem de serviço” pra trabalho em altura é lei, não sugestão.
Parabéns à ABRAPP por abrir espaço pro tema…
O final do expediente é o mais perigoso, fiquei impactada com a noticia da Jovem de 21 anos que fazia atividade esportiva em altura, será que não é exigido deste profissionais o conhecimento como este? Pelo que li era final do expediente todos já tinha ido, estavam cansados... fique tão triste não queria ver mais noticias assim...🥲