Segurança do Trabalho na Obra: O “rapidinho” pode ser fatal! (Por Jota Correa)
- Léa Ramos De Oliveira
- há 22 horas
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Na obra, o "rapidinho" pode ser fatal! Segurança do trabalho envolve conhecimento aplicado e repetido diariamente, durante todo o expediente. (Por Jota Correa)
Segurança Trabalho Obra: É com muito orgulho que nós, da ABRAPP (Associação Brasileira dos Pintores Profissionais), abrimos este espaço para compartilhar as palavras, a vivência e a experiência de quem entende profundamente o dia a dia do nosso setor e luta incansavelmente pela nossa classe. A segurança no ambiente de trabalho é um pilar inegociável para a nossa associação, e debater esse tema é fundamental para garantir que todo profissional da pintura volte em segurança para sua família ao final de cada jornada.
Por isso, convidamos nosso grande amigo e parceiro Jota Correa — educador técnico, comunicador e idealizador do podcast “Primo Zé Cast” (projeto voltado à educação, conteúdo e impacto social na construção civil) — para trazer um alerta urgente e necessário sobre os riscos invisíveis na rotina das obras.
Palavra do Especialista, por Jota Correa:
Em trabalhos realizados nos canteiros de obras — sejam comerciais, residenciais ou prediais —, o período mais perigoso não é, exatamente, o pico do serviço, mas sim os dez minutos finais do expediente. Existem inúmeras situações trágicas que poderiam ter tido desfechos diferentes.

Durante a realização das tarefas, muitas vezes parece estar tudo sob controle: checklist feito, EPIs conferidos, rotina bem conhecida pelo profissional e nada fora do script. O trabalho segue normalmente, com cada ferramenta em seu lugar e um procedimento já repetido dezenas de vezes. É justamente aí, na crença confortável de que “sempre deu certo”, que a falsa sensação de segurança se instala.
Próximo ao final do dia, surge aquela velha e perigosa frase: “É rapidinho. Só falta aquele cantinho”. Faço uma pausa aqui para alertar: cuidado! No fim do expediente, a pressa vira a inimiga mortal da atenção, e é nesse “rapidinho” que mora o maior risco.
A confiança cega ao realizar tarefas sem a devida análise de riscos não é suficiente. Pior ainda é quando essas ações são executadas por pessoas sem capacitação ou fora do padrão previsto pela Norma Regulamentadora NR-35 — que trata do trabalho em altura, ou seja, qualquer atividade executada acima de dois metros do nível inferior, onde há risco de queda. Nestes casos, é obrigatória a adoção de procedimentos rigorosos, entre eles:
Análise prévia de risco;
Planejamento da atividade;
Isolamento e sinalização da área;
Uso correto do sistema de proteção contra quedas;
Supervisão e autorização formal para a execução do serviço.
O Perigo do Excesso de Confiança
Quando esses passos são ignorados, o profissional acaba executando o serviço de forma irregular. Ele não dá a devida atenção aos riscos envolvidos e o erro, combinado ao excesso de confiança e à ausência de treinamento específico, pode ser fatal.
Imagine, por exemplo, a montagem de um andaime próximo a uma rede elétrica. Sem a percepção técnica adequada, o trabalhador não avalia a distância mínima de segurança dos cabos de alta tensão, nem o comportamento de ferramentas metálicas durante a atividade. Ao se aproximar de um fio energizado, a ferramenta passa a funcionar como um condutor, atuando como um “para-raios” e conduzindo a descarga elétrica diretamente para o corpo do profissional. A eletricidade percorre o caminho de menor resistência, provocando o choque, seguido inevitavelmente da queda.
Não Há Segunda Chance

Muitas vezes, não há tempo para corrigir. Não há segunda chance. O resultado dessa falta de atenção é devastador: um filho sem pai, uma filha sem referência, uma esposa sem companheiro, uma mãe enterrando um filho. Não se trata de uma fria estatística, mas de uma realidade dolorosa e cotidiana. Tudo isso começa muito antes, na crença falha de que “bom senso” substitui o treinamento e de que um certificado na parede substitui a fiscalização diária.
Um simples “é rapidinho”, desprovido de conhecimento, é um risco iminente que transforma o cotidiano em uma tragédia evitável. A realidade nas obras é dura. Clientes solicitam serviços sem qualquer noção dos perigos envolvidos, e muitos profissionais se colocam em risco para atender a essas demandas rapidamente.
O uso de andaimes e escadas exige rigor. Não basta entregar os EPIs aos funcionários. A terceirização do serviço também não exime a responsabilidade de quem contrata.
A segurança do trabalho é conhecimento aplicado e repetido todos os dias, principalmente nos últimos minutos do expediente. Porque é justamente quando o corpo está cansado, a mente relaxa e a vontade de ir embora fala mais alto que os acidentes acontecem. A segurança não acaba quando o serviço finaliza; ela só termina de verdade quando o trabalhador cruza o portão da obra e retorna, em segurança, para os braços da sua família.
Intagran: @PrimoZéObras YouTube: @PrimoZéCast ________________________________________________________________________
REPÓRTER ABRAPP
Léa Ramos do Mato Grosso tem 47 anos, é mãe de dois meninos e uma menina, e avó de dois netos, com mais uma netinha a caminho. Com uma trajetória marcada por dedicação e amor à profissão, ela atua como pintora profissional há 10 anos e afirma com orgulho: ama o que faz com todo o coração.

Conhecer o Movimento Brasil por um Pintor Melhor (MBPM) no estado do Mato Grosso foi um verdadeiro divisor de águas em sua vida. Por meio do MBPM-MT, Léa teve acesso a treinamentos, workshops e capacitações, além de ter conhecido pessoas incríveis que somam e transformam realidades.
Sua participação ativa no movimento abriu portas importantes e fortaleceu sua atuação profissional, especialmente através da conexão com lojistas e indústrias parceiras. Essa rede de apoio foi fundamental para ampliar suas oportunidades e reconhecimento no mercado.
Com orgulho, Léa também carrega o título de primeira instrutora da Escola ABRAPP em Mato Grosso — um marco que transformou sua vida e que agora permite que ela transforme a vida de outras pessoas. Ela é prova viva da força dos dois projetos que mudaram sua história: o MBPM e a Escola ABRAPP.
Inspirada por tudo o que viveu, Léa deixa seu recado ao mundo:
"Seja um Pintor ou Pintora MBPM."
Repórter: LeaRamos
Edição: Royalles_Paint
Revisão: DouglasdeAssis






