O Cliente Sem Noção e o Pintor Sem Proteção: Os Riscos nas Obras Podem Ser Fatais! Segurança do Trabalho na Obra com Jota e ABRAPP
- Letícia Souza
- há 1 dia
- 5 min de leitura
Em parceria com a ABRAPP, o especialista Jota Correa alerta o pintor profissional sobre a segurança preventiva e as graves consequências de ignorar o uso de proteção nos canteiros de obras.
O Cliente Sem Noção e o Pintor Sem Proteção: Os Riscos nas Obras Podem Ser Fatais! Segurança do Trabalho na Obra com Jota e ABRAPP: Em uma obra, cada decisão pode fazer a diferença entre um dia de trabalho seguro e um acidente com consequências irreversíveis. A ABRAPP – Associação Brasileira dos Pintores Profissionais reforça a importância da prevenção, do cumprimento das normas de segurança e do uso correto dos equipamentos de proteção para preservar vidas nos canteiros de obras. Afinal, a responsabilidade pela segurança não é apenas do trabalhador: clientes, contratantes e todos os envolvidos precisam fazer a sua parte.
A seguir, o especialista Jota Correa chama a atenção para os riscos do “cliente sem noção” e do “trabalhador sem proteção”, mostrando na prática por que, quando a segurança é deixada de lado, as consequências podem ser graves — e até fatais. Boa leitura.
Cliente Sem Noção e Trabalhador Sem Proteção: O Perigo nas Obras
Por Jota Correa

A informação é a nossa maior aliada para estarmos sempre atualizados sobre os assuntos do setor. Muitos clientes não têm noção do que é necessário ao contratar profissionais para serviços em suas casas ou estabelecimentos, e isso coloca em risco direto a vida de quem trabalha.
Quando um cliente decide contratar alguém para pintura, reforma ou reparo elétrico, deveria ter ciência dos processos de segurança envolvidos. Porém, uma grande parte dos clientes não tem a dimensão desses protocolos e não exige que seus contratados possuam certificados e treinamentos que previnem a maior parte dos acidentes.
Do outro lado, muitos profissionais não possuem qualificação mínima para aplicar os procedimentos de segurança adequados. A necessidade de pagar as contas os leva a aceitar serviços que exigiriam uma rigorosa análise de risco, equipamentos específicos e treinamento, sem estarem preparados para isso. Ao fazer um orçamento, não avaliam os potenciais perigos do local.
O cliente, por sua vez, muitas vezes não exige cuidados, limitando-se a dizer: “Você é o profissional, então sabe o que está fazendo”. Esse comportamento omisso coloca ambos em perigo. Precisamos de uma conscientização urgente referente às questões de segurança nas obras, sejam elas comerciais ou residenciais.
A Segurança Ignorada pelo Preço
Muitos clientes descartam profissionais que incluem medidas de segurança no orçamento (como o uso de EPIs específicos, montagem de estruturas seguras e análises do ambiente) porque isso pode aumentar o prazo e o custo do serviço. O resultado é a contratação baseada apenas no preço, deixando a qualidade e, principalmente, a vida em segundo plano.

,Durante a obra, pode parecer que está tudo sob controle. O cliente vê o prestador de serviços subindo em escadas, andaimes ou telhados sem proteção, mas não percebe a gravidade da situação. O que mais impressiona é que o profissional sabe fazer todos os procedimentos de isolamento para proteger o piso e os móveis do cliente, mas não protege a própria vida. Ele faz postagens nas redes sociais divulgando seu trabalho, mas não adota procedimentos básicos para resguardar sua integridade física.
Normas de Segurança: Elas Existem Para Salvar Vidas
Um cliente bem informado conhece as consequências legais e humanas de um acidente dentro da sua casa ou estabelecimento, buscando profissionais qualificados e certificados.
As Normas Regulamentadoras (NRs) foram criadas para estabelecer padrões de segurança. As primeiras foram publicadas em 1978 e, ao longo do tempo, outras foram implementadas para assegurar a saúde dos trabalhadores em diversos segmentos. Algumas das principais para o nosso setor incluem:
NR-1 - Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
NR-6 - Equipamento de Proteção Individual (EPI)
NR-10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
NR-18 - Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção
NR-33 - Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados
NR-35 - Trabalho em Altura
Essas normas dão ao trabalhador a visão correta dos processos e das análises de risco. Elas não são meras formalidades; elas existem para prevenir tragédias.
O Peso de Uma Tragédia: Um Exemplo Real
Para ilustrar essa realidade, vou contar uma história. Os nomes são fictícios, mas o cenário é tragicamente comum nas obras e condomínios pelo Brasil.

João Carlos era um homem de família. Acordava todos os dias por volta das 5h da manhã, preparava o café, arrumava a mochila do filho caçula, Gabriel, e despedia-se de sua esposa e de sua filha mais velha, Marisa. Todos os dias, João repetia essa rotina. Ele saía de casa sabendo que, às 18h30, Gabriel estaria esperando no portão por sua volta.
Mas, num dia comum, a rotina foi quebrada. João chegou à obra às 9h e organizou suas ferramentas. Montou o andaime, mas, por falta de preparo ou pressa, não avaliou o ambiente e os riscos. No período da tarde, enquanto trabalhava na parte superior do andaime sem nenhum Equipamento de Proteção Individual (EPI), João teve uma queda súbita de pressão seguida de tontura.
Ele caiu de cima do andaime, atingindo latas e um banco de madeira que estavam no chão. O socorro foi acionado e ele saiu do local com vida, mas não resistiu aos ferimentos a caminho do hospital.
Naquele dia, Gabriel ficou esperando no portão como sempre fazia. Mas não foi o pai que apareceu, e sim sua avó, para buscá-lo enquanto sua mãe corria para o hospital. Uma família inteira passou a fazer parte de uma estatística fria. Uma esposa sem companheiro, filhos que crescerão sem a referência do pai. Tudo por um momento em que a atenção aos procedimentos de segurança foi ignorada.
Conclusão
Temos um grande desafio pela frente: conscientizar os trabalhadores da necessidade absoluta de estarem atentos aos processos de segurança e análise de riscos, e conscientizar os clientes de que exigir segurança nas obras é um dever de todos.
O profissional deve avaliar os riscos e usar equipamentos de proteção. O cliente deve valorizar a segurança, e não apenas o menor preço. Só assim deixaremos de ter o cenário do “cliente sem noção e trabalhador sem proteção” para construir uma realidade de clientes atentos e trabalhadores saudáveis e vivos.
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REPÓRTER ABRAPP

Natural de Bragança Paulista (SP), Letícia Alves de Lima Souza, de 41 anos, trocou a estabilidade de um cargo de encarregada na indústria cosmética para seguir sua verdadeira vocação na construção civil. O despertar para a profissão ocorreu durante a reforma de sua própria casa, levando-a a tomar uma decisão ousada: usou suas férias para trabalhar como servente de pedreiro e aprender na prática sobre pintura e acabamentos. Confirmada a paixão, ela deixou seu emprego fixo para mergulhar de cabeça no novo ofício.
Após cinco anos adquirindo experiência em empreiteiras, Letícia iniciou sua trajetória autônoma em 2010. O caminho exigiu resiliência para conquistar espaço e respeito em um setor predominantemente masculino, desafio que ela superou com competência e com o apoio fundamental da amiga Luciana. Hoje, ela prioriza a capacitação técnica constante, entendendo que o estudo e a qualificação são essenciais para a valorização da categoria.
Atualmente, Letícia é parte ativa da rede MBPM (Movimento Brasil por um Pintor Melhor), integrando o time de mais de 1.200 pintoras em todo o país sob a coordenação nacional de Regiane Baroni. Sua história é um exemplo de reinvenção, reforçada por sua mensagem de otimismo: "Nunca desistam dos seus sonhos. Hoje é uma chance para redefinir objetivos. O segredo é começar com um sorriso e uma mentalidade positiva.
Repórter: @Royalles_Paint
Revisão: @Douglas de Assis


Escrever sobre este aasunto de segunça nas obras e muito gratificante pois temos a chance de passar as informações e alertar os profissionais....